sábado, 17 de outubro de 2009

Raymond Lulle

Escritor, astrólogo e alquimista nascido na Catalunha, Raymond Lulle (1232-1315), cognominado “O Iluminado”, escreveu um dos textos mais curiosos do período escolástico, “Ars Magna” (Arte Magna). É uma das figuras mais românticas do ocultismo do século XIII, cuja fama desafia o tempo. Sobre ele contam-se muitas lendas; diz-se que se apaixonou na juventude por uma mulher casada e que esta o dispensou gentilmente dizendo-lhe que a paixão dele era tal que levaria uma eternidade para acabar. Por causa disso ele teria resolvido se dedicar por trinta anos à busca alquímica do elixir da longa vida. Segundo a lenda, Lulle descobriu esta poção mágica e a bebeu, conquistando a imortalidade. No entanto, quando procurou sua amada para compartilhar com ela o elixir, encontrou-a muito doente e esta lhe disse que só a morte lhe traria consolo. De tanto desgosto, Lulle teria se convertido ao cristianismo, vagando pelo mundo e desafiando deliberadamente a fé islâmica na esperança de que o matassem. Mas, como se tornara imortal, sempre acabava sobrevivendo. Só conseguiu lograr o seu intento com idade avançada, depois de ter alcançado grande reputação como evangelista. Conta-se que Deus se apiedou dele e permitiu que morresse apedrejado...
O que se sabe de fato a respeito desta figura enigmática mistura-se à lenda, mas é provável que tenha sido casado e tornou-se frade aos trinta anos. Foi amigo de Dante Alighieri e, quando este esteve em Paris para defender sua tese na Sorbonne teria dado a Lulle um manuscrito cabalístico sobre o Inferno. Evocado como um dos precursores do teosofismo moderno, escreveu mais de 120 obras. Devido a penetração de suas idéias nas camadas mais cultas da época, teve seus livros condenados por uma bula papal em 1376.
Sua fama de alquimista levou o rei Eduardo II, da Inglaterra, a convidá-lo para uma estadia na sua corte, quando já beirava os setenta anos. Segundo Simon de Phares, Lulle teria descoberto a pedra filosofal e produziu ouro para este rei, com a condição de que fizesse a guerra contra os infiéis. O alquimista se ofereceu para fabricar todo o ouro e prata que necessitasse, mas o rei não cumpriu sua promessa encerrando-o numa fortaleza e obrigando-o a trabalhar à força. Ainda segundo este autor, a fortuna dos nobres da Inglaterra desta época deve-se ao ouro de Lulle... O alquimista foi libertado do cativeiro pela intercessão de Roger Bacon, que era seu amigo e tinha muita estima por ele.

Fontes:
Eileen Campbell e J. H. Brennan, “Dicionário da Mente, do Corpo e do Espírito”, Ed. Mandarim, 1997
Enciclopédia Luso Brasileira de Cultura, Ed. Verbo, Lisboa, 1984
Symon de Phares, “Recueil des plus célebres astrologues et des hommes doctes”, Honoré Champion Éditeur, Paris, 1929

Um comentário:

  1. olá.. eu gostei do texto, pois não sabia da existência de tal alquimista, acho que ele chegou perto ou alem de aleister crowlei, gostaria de publicar este texto em meu blog, por favor me comunique se tenho a autorização...
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