Seria o conto da Serpente Verde um puro jogo da fantasia? Uma parábola alquímica sobre o processo de iniciação hermética? Ou simples alegoria política e histórica de que Goethe serviu-se para registrar sua posição diante da Revolução Francesa e os seus efeitos? A multiplicidade de níveis de leitura de "A Serpente Verde" e o interesse despertado ao longo do tempo nos mais diversos estudiosos, atesta senão a sua genialidade, ao menos a sua característica sui-generis. Oswald Wirth, Ronald Gray, Rudolf Sterne, Jung e Yvette Centeno entre outros, debruçaram-se no estudo deste conto desenvolvendo estimulantes interpretações.Obra intemporal, podemos sem muito esforço encontrar nela uma relação direta com o momento atual, pois o conto aborda simbolicamente a viragem de uma época para outra. Aliás, o tema "nova era" já estava na pauta de pensadores como Goethe e Schiller, preocupados com a transformação social e a real evolução do espírito humano. Para Goethe, especificamente, isto seria uma tarefa para séculos, passando necessariamente por uma lenta e gradual transmutação no plano individual.Alguns astrólogos vêem na Revolução Francesa o primeiro sinal da decantada era de Aquário, marco inicial da derrocada do autoritarismo para dar lugar aos novos tempos de igualdade, liberdade e fraternidade. Sem dúvida, tratou-se de um passo importante na esfera social, preparação necessária para um novo tempo. Agora, a próxima revolução deverá se dar no plano individual, com a morte iniciática e o conseqüente renascimento do homem em uma nova condição, capaz de vivenciar não só uma ética superior, mas também compreender o verdadeiro sentido do Amor e da Renúncia. A Serpente representa esta transfiguração, a ponte sem a qual jamais ultrapassaríamos o estágio em que estamos, alcançando aquele em que o "Eu" está pronto para sacrificar-se pelo "Nós".Este conto é, pois, um fino manjar para os apreciadores da boa literatura, engajada na temática alquímica e passando longe das fórmulas fáceis e da moral duvidosa de pretensos mestres com seus falsos magos e alquimistas.Através de um primoroso ensaio de interpretação, Oswald Wirth concluiu que este conto nos revela a essência e as profundezas mais remotas do pensamento de Goethe. E, como ele, o leitor irá concordar que a Serpente Verde "é um animal que se decompõe em pedras preciosas. Esforcemo-nos para recolher o maior número delas"...segunda-feira, 19 de outubro de 2009
O conto da Serpente Verde, de Goethe
Seria o conto da Serpente Verde um puro jogo da fantasia? Uma parábola alquímica sobre o processo de iniciação hermética? Ou simples alegoria política e histórica de que Goethe serviu-se para registrar sua posição diante da Revolução Francesa e os seus efeitos? A multiplicidade de níveis de leitura de "A Serpente Verde" e o interesse despertado ao longo do tempo nos mais diversos estudiosos, atesta senão a sua genialidade, ao menos a sua característica sui-generis. Oswald Wirth, Ronald Gray, Rudolf Sterne, Jung e Yvette Centeno entre outros, debruçaram-se no estudo deste conto desenvolvendo estimulantes interpretações.Obra intemporal, podemos sem muito esforço encontrar nela uma relação direta com o momento atual, pois o conto aborda simbolicamente a viragem de uma época para outra. Aliás, o tema "nova era" já estava na pauta de pensadores como Goethe e Schiller, preocupados com a transformação social e a real evolução do espírito humano. Para Goethe, especificamente, isto seria uma tarefa para séculos, passando necessariamente por uma lenta e gradual transmutação no plano individual.Alguns astrólogos vêem na Revolução Francesa o primeiro sinal da decantada era de Aquário, marco inicial da derrocada do autoritarismo para dar lugar aos novos tempos de igualdade, liberdade e fraternidade. Sem dúvida, tratou-se de um passo importante na esfera social, preparação necessária para um novo tempo. Agora, a próxima revolução deverá se dar no plano individual, com a morte iniciática e o conseqüente renascimento do homem em uma nova condição, capaz de vivenciar não só uma ética superior, mas também compreender o verdadeiro sentido do Amor e da Renúncia. A Serpente representa esta transfiguração, a ponte sem a qual jamais ultrapassaríamos o estágio em que estamos, alcançando aquele em que o "Eu" está pronto para sacrificar-se pelo "Nós".Este conto é, pois, um fino manjar para os apreciadores da boa literatura, engajada na temática alquímica e passando longe das fórmulas fáceis e da moral duvidosa de pretensos mestres com seus falsos magos e alquimistas.Através de um primoroso ensaio de interpretação, Oswald Wirth concluiu que este conto nos revela a essência e as profundezas mais remotas do pensamento de Goethe. E, como ele, o leitor irá concordar que a Serpente Verde "é um animal que se decompõe em pedras preciosas. Esforcemo-nos para recolher o maior número delas"...
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Julia Câmara, a tradutora de "The Coming Race", é escritora, roteirista e mora em Los Angeles, onde estudou cinema pela Universidade de Colúmbia de Hollywood. Um de seus roteiros, o longa-metragem de ficção-científica "ÁREA Q" foi rodado no Brasil e tem Isaiah Washington no elenco. Também produziu e dirigiu curtas-metragens, e um deles "Reduced to Dust" está disponível para venda em DVD no site

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